17/02/2013

Um toque de melodrama

Publicada por Ana Reis à(s) domingo, fevereiro 17, 2013
Custou-me a descobrir aquilo que queria dizer hoje.

Tentei escrever sentada no sofá, deitada na cama ou com as pernas à chinês. Já tentei meditar, premeditar... acho que só me falta mesmo tentar levitar!

Talvez esteja a levar isto demasiado a sério (...outra vez!). Estou sempre a cair no mesmo buraco sem fundo e agora tenho que arrastar o meu rabo pela escarpa acima para poder finalmente escrever sem restrições.

By gefrsh72


O que eu queria escrever era muito simples. Tão simples que podia reduzí-lo a uma frase apenas. E tentei fazê-lo, umas 50 vezes.


O resultado foi um pouco para o enfadonho e recheado de um moralismo que nem sequer teve a decência de se disfarçar. Apaguei os meus 5 rascunhos e decidi começar outra vez.

Quando o fiz percebi que, todo este tempo, estive a tentar reproduzir frases e pensamentos doutras pessoas. Enquanto, secretamente, encerrava os meus num quarto escuro e fazia o mínimo barulho possível, não querendo correr o risco de os acordar.

Eles assustam-me às vezes. Têm um feitio abrasivo. Mas são meus e não me posso dar ao luxo de os ignorar.

Quando decidi ficar à escuta lembrei-me de algo simples que aprendi nas orações em Taizé. Aprendi que nós somos, essencialmente, cheios de tretas.

Passamos os dias a repetir, na nossa cabeça, pensamentos paranóicos e sem sentido que nem sequer nos damos ao trabalho de criticar.

Aprendi que a verdadeira sabedoria vem depois das tretas bonitas, e aparentemente racionais, que dizemos a nós próprios, vezes sem conta.

São melodramas que, à primeira vista, elevam as nossas experiências à categoria de novela mexicana, mas que raramente nos permitem desfrutar das coisas pequenas e "sem importância" da vida.

Secretamente adoramos viver no dramatismo e de achar que o universo nos deve algo porque alguém nos magoou no passado.

Esse drama, para além de nos entreter, também nos permite arranjar desculpas para não fazer nada. Ele assenta na crença de que as circunstâncias nos definem. E essa crença é perfeita se queremos viver uma vida superficial e previsível.

Mas se queremos outras coisas, o que temos a fazer é simples. Basta colocar as malas às portas e dizer aos dramas que está na hora de se porem a andar!

1 comentários complexos:

Marco Paulo Tavares Rocha on 17 de fevereiro de 2013 às 12:40 disse...

as publicações cada vez estão melhores! gostoooo! :) parabéns

 

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